Não sei responder a pergunta. Não sei qual o limite do tratamento, da resposta natural do corpo e da força da crença de alguém. Acho que a "ignorância", ou o desconhecimento de certas coisas podem estimular o otimismo e potencializar a fé. Digo isso pensando em algo intrigante que aconteceu hoje. Uma adolescente de 14 anos, cuja beleza estampada em uma foto acima da cama, já não está mais presente desde que passou por algumas cirurgias para retirada de um tumor cerebral agressivo. As cirurgias não foram bem sucedidas e o tumor continua crescendo. Como tentativa de maior qualidade de vida, foi optado por uma traqueostomia, já que o tumor não permitia que ela respirasse totalmente por si, dependendo dos aparelhos. Sua mãe, inconformada, disse à enfermeira que iria à igreja orar para que sua filha não realizasse o procedimento, pois queria sua filha respirando por conta própria. Momentos antes do procedimento agendado para hoje ela simplesmente, num momento de lucidez, mesmo sob sedação, resolveu retirar sua cânula traqueal (muito bem fixada por sinal) e decidiu respirar. Saímos todos correndo pela UTI com os materiais na mão para reintuba-la, mas ela estava acordada, consciente e respirando muito bem. Nos olhamos assombrosamente e decidimos suspender a cirurgia, dando a ela a chance de não depender de equipamentos.
Ainda acho que o tumor é agressivo demais e mantenho meu pessimismo acerca da doença. Sabemos que 100% dos casos evolui para óbito em 6 meses. Mas quem sou eu para duvidar da força que tem o desejo verdadeiro de uma mãe em ver sua filha melhorar? Prefiro buscar o equilíbrio e não ser inocente demais, pois vejo muitos finais infelizes inevitáveis diariamente. Mas luto para não ser cético, pois o poder da fé é inegável. Pode até mover montanhas, não é?
Abraço.



